terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

PARA TEU LIVRO


Garimpo – Agosto/2016  3
Breve, criança, irás deixar
O teto que te viu nascer,
P’ra correr mundo e enfrentar
Seus riscos, e talvez morrer
Sem ter chegado ao teu destino.
Ante o fugir à nossa instância,
Tal como outrora, escuto o trino
Da voz que te guiou na infância.

Ai, ai! meu filho, em teu caminho
Logo talvez dificuldade
Te ferirá a mão com espinho,
Que venenoso de verdade
Fará coxear teu pé ferido,
Mais de uma vez em tua sina.
Que importa, então! Mais longe erguido,
Seguirás luz que te ilumina,
A marchar sempre, sempre avante;
Sem tua pátria achar perdida,
Teu lugarejo, o lar distante,
E morrer sem chorar a vida,
Se tinhas que perdê-la um dia,
Pregando a todos por doutrina
A caridade, a fé mais pia,
Deveres só da lei divina;
Em toda parte erradicando
Falso saber, orgulho, egoísmo,
Que amortalhar estão tentando
O berço-luz do Espiritismo;
Em repetindo isso que a voz
De todos invisíveis mundos
Parece revelar-te a sós
Em seus murmúrios tão profundos;
Sofrendo um século grosseiro,
Que junta o insulto à injúria forte
Quando te chama feiticeiro,
Simples ledor da boa sorte;
Em perdoando-lhe o desdém,
Vai procurando, pela prece,
Os seus amigos pô-los bem
Em sua santa e humilde messe.

E eu disse: Parte, filho, adeus;
Tua tarefa é dificílima,
Mas crê e espera em teu bom Deus,
Ele a fará talvez facílima.
Um Espírito poeta
Médium: Sr. V...
Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas – 11/05/1866
Publicada na Revista Espírita, Junho de 1866

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

"PAI DOS POBRES"



"BEZERRA DE MENEZES"
"Pai dos pobres"...
"Médico das almas"
Alivia a dor!...
Com o remédio das
virtudes mais puras!...
Faz do amor seu lema
E nos inspira
Com sua vida
"PURA POESIA"
de "Amor Universal"!...
"BALUARTE DO ESPIRITISMO"
PROFUNDA MENSAGEM
DE ETERNO SENTIR!...
Luciana Barreto Mairolani

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

AVATARES




Não sou de agora, vim de priscas eras,
Elaborando a minha evolução!
Venho desde os princípios das moneras,
Buscando a luz de minha redenção!

Minhalma os anos não consumirão,
E a eternidade para sempre me espera!
Venho das larvas, do covil da fera,
Volvendo para a luz da perfeição!

Outras vidas vivi em outros mundos,
Além, na imensidão dos céus profundos,
Que nos causam pavor e dão vertigens!

Sou o produto dos esforços meus,
Venho da essência máter das origens,
Na escalada infinita para Deus!

Altivo Ferreira
Do livro: Versos idealistas

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Morte Úmida



Ei-lo, o doente que se desengana...
A úlcera enorme baba gosma escura;
O esqueleto senil se descostura
Ao bote da gangrena soberana.

Linfa, sangue e suor em papa insana,
Na fusão miasmática sem cura,
Por sânie e fel no ventre da amargura
Cospem a podridão da casca humana.

Última convulsão que desgoverna.
A morte chega brusca, horrenda e terna...
Corre na goela hirta fino gume.

A alma ditosa nasce noutro nível.
É o parto novo... E a vida imperecível
Desabrocha qual lírio sobre o estrume.

Augusto dos Anjos
Médium: Waldo Vieira
Antologia dos Imortais

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

AS VOZES DO CÉU




Vozes do céu que suspiram na brisa,
Murmuram no ar e percutem nas ondas;
E da floresta que os montes divisa
Os seus suspiros ecoam nas sondas.

Vozes do céu se agitam na folhagem
Nos verdes prados, dos bosques nos cantos,
Junto da fonte em que é mais pura a aragem
Canta o poeta seus versos em pranto.

Vozes do céu cantam nos arvoredos,
No loiro trigo, nos jardins em flores,
No azul que às nuvens repete segredos,
E no arco-íris de esplêndidas cores.

Vozes do céu, em silêncio elas choram;
Vos recolhei, falam ao coração;
São os Espíritos bons que então oram
E ao Criador enfim vos levarão.

Elisa Mercoeur
Médium: Sra. Cazemajoux
Revista Espírita – Abril de 1862
(Trad. de Evandro Noleto)